Fevereiro no Museu das Culturas Indígenas articula Carnaval, saberes e línguas originárias

Publicado em: 23 jan 2026
Museu das Culturas Indígenas

Mês reúne instalação inédita inspirada no desfile da Mocidade Unida da Mooca em homenagem a Ailton Krenak, encontros formativos, debates, atividades para crianças e ações em torno das línguas indígenas.

Desfile da Mocidade Unida da Mooca (MUM), no Carnaval de 2025. Foto: Acervo MCI

São Paulo, janeiro de 2026 – O Museu das Culturas Indígenas (MCI) inicia o mês de fevereiro com uma programação que articula arte, memória, educação e ativismo indígena. Em destaque, a instalação “Exaltação e Êxtase: manifestações de resistência e visibilidade”, além de encontros formativos para educadores, debates públicos, contação de histórias, visitas mediadas e atividades em torno do Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas e do Dia Internacional da Língua Materna. O MCI é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerida pela ACAM Portinari (Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari), em parceria com o Instituto Maracá e o Conselho Indígena Aty Mirim.

Carnaval com manifestações indígenas

Em cartaz de 03 de fevereiro a 1º de março, a instalação “Exaltação e Êxtase: manifestações de resistência e visibilidade” dá continuidade à série de ações do MCI que debatem a presença indígena nos grandes espetáculos culturais, iniciada com “Índio Indígena NÃO é Fantasia!” (2024) e “Representatividade x Representação: é só uma homenagem?” (2025).

A partir de fotos, vídeos, depoimentos e camisetas, a montagem parte da participação de integrantes do Conselho Indígena Aty Mirim e da equipe do MCI no desfile da Mocidade Unida da Mooca (MUM), no Carnaval de 2025, que homenageou o escritor e líder indígena, Ailton Krenak, com o enredo “Krenak – O presente ancestral”. O título da instalação remete a uma fala do próprio Krenak, em entrevista após o desfile, ao definir a experiência como “um estado de exaltação, um êxtase”.

Durante o desfile, mestres de saberes, conselheiros e colaboradores do MCI estiveram ao lado de Krenak em um dos carros alegóricos, empunhando estandartes com frases como “Cocar é sagrado”, “Cada grafismo representa a espiritualidade de um povo” e “Demarcação já”, reafirmando o carnaval como espaço de disputa simbólica, visibilidade política e afirmação cultural.

Formação, educação e cidade

Em 07 de fevereiro, às 10h, o MCI promove duas atividades que ampliam o debate sobre presença indígena nos territórios urbanos e nos espaços educativos. Pela manhã, o “Encontro com Educadores – A etnocomunicação e a promoção da Língua Indígena Nheengatú nos territórios” propõe uma reflexão sobre o uso das plataformas digitais como ferramenta de resistência linguística e implementação da Lei nº 11.645/2008. A atividade é conduzida por Emerson Baré Puranga, mestre de saberes do educativo e pesquisador da área de linguística indígena.

Encontro com educadores é uma das iniciativas mensais promovidas pelo MCI. Foto: Wallace Emídio –  Acervo MCI

À tarde, às 15h, em alusão ao Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas, o debate “Invisibilização e marginalização em grandes centros urbanos” reúne as lideranças Avani Fulni-ô e Roseli Coä Pataxó Hã-hã-hãe, que compartilham vivências, desafios e estratégias de resistência de indígenas em contexto urbano, com foco no conceito de território como espaço de identidade, cultura e ancestralidade.

Saberes, infância e oralidade

Em 21 de fevereiro, às 11h, o programa de contação de histórias recebe Kawakani Mehinako, que apresenta o conto “Aunakĩ Yanakumã – História do Dono dos Rios”, narrativa fundamental da cosmogonia do povo Mehinako, do Alto Xingu. Voltada para crianças e suas famílias, a atividade valoriza a oralidade indígena e promove experiências de escuta e convivência entre diferentes gerações.

Siriani Huni Kuin, autor de “O Segredo dos Artesãos da Amazônia” foi um dos participantes do programa de contação de histórias em 2025. Foto: Leandro Karaí Mirim – Acervo MCI

Na mesma data, às 15h, em celebração ao Dia Internacional da Língua Materna, o MCI promove uma conversa online, em seu canal no YouTube, com Altaci Corrêa Rubim (Tataiya Kokama), referência nacional e internacional na área de políticas linguísticas indígenas. A atividade propõe reflexões sobre preservação, diversidade linguística, inclusão e os desafios da Década Internacional das Línguas Indígenas (2022–2032).

Sonhos, territórios e visitas mediadas

Para encerrar o mês, em 26 de fevereiro, às 18h30, o público é convidado para uma visita mediada às exposições com a temática “Sonhos Ancestrais”, conduzida pelos mestres de saberes. A atividade percorre a exposição “Ygapó: Terra Firme”, de Denilson Baniwa, e a Sala da Jiboia, espaço de acolhimento inspirado na cosmologia do povo Huni Kuin, com reflexões sobre imaginação, ancestralidade e a construção de outros mundos possíveis.

Feira de Artes Manuais

Artesãs e artesãos indígenas de diferentes povos comercializam uma grande diversidade de artefatos tradicionais na Feira de Artes Manuais Indígenas, montada na área externa do MCI. Das 9h às 18h, o espaço promove artistas indígenas para incentivar e ampliar oportunidades socioprodutivas e econômicas.

E MAIS!

As exposições em cartaz celebram as riquezas e a diversidade cultural dos povos originários:

  • Hendu Porã’rã – escutar com o corpo: uma imersão sensorial na cultura do povo Guarani a partir de linguagens ancestrais e contemporâneas.
  • Ygapó – Terra Firme: em um espaço imersivo somos convidados a tirar os sapatos para caminhar sobre as folhas da Mata Atlântica e entre o corpo de uma árvore partida ao meio.
  • Mymba’i, pedindo licença aos espíritos, dialogando com a Mata Atlântica: um chamado para a reflexão sobre os impactos das ações humanas e a urgência de cuidar da natureza.
  • Nhe’ẽ ry – onde os espíritos se banham: explora dimensões espirituais, territoriais e simbólicas da relação dos povos indígenas com a Mata Atlântica.
  • Ocupação Decoloniza – SP Terra Indígena: ocupa as áreas externas com grafismos Guarani e murais de onças, criados por artistas indígenas. As obras trazem olhares decoloniais sobre o espaço urbano e destacam a resistência, a luta por direitos e o papel feminino, como parte do movimento de retomada artística indígena contemporânea.

SERVIÇO

Instalação “Exaltação e Êxtase: manifestações de resistência e visibilidade”

Data e horário: 03/02 a 01/03, das 09h às 18h e às quintas até 20h

Encontro com Educadores – A etnocomunicação e a promoção da Língua Nheengatú
Data e horário: 07/02, das 10h às 12h

Com emissão de certificado (2h)

Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas – Invisibilização e marginalização em grandes centros urbanos
Data e horário: 07/02, das 15h às 16h30

Contação de Histórias MCI – “Aunakĩ Yanakumã”
Data e horário: 21/02, das 11h às 12h

Dia Internacional da Língua Materna, conversa com Altaci Corrêa Rubim
Data e horário: 21/02, das 15h às 16h

No YouTube do MCI

Visita mediada “Sonhos Ancestrais”
Data e horário: 26/02, das 18h30 às 20h

Feira de Artes Manuais Indígenas

Data e horário: de terça a domingo, das 9h às 18h; às quintas até às 20h

Exposições em cartaz

Data e horário: de terça a domingo, das 9h às 18h; às quintas até às 20h

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