Museu das Culturas Indígenas apresenta instalação inédita sobre manifestações de resistência e visibilidade durante o Carnaval 2026

Publicado em: 27 jan 2026
Museu das Culturas Indígenas

“Exaltação e Êxtase” traz o carnaval para dentro do museu e tensiona as fronteiras entre festa popular, arte e protagonismo indígena.

Equipe do Museu das Culturas Indígenas ao lado de Ailton Krenak em desfile de 2025. Foto: Giannelli Fotografia

São Paulo, janeiro de 2026 – Para o Carnaval de 2026, o Museu das Culturas Indígenas (MCI) inaugura a instalação “Exaltação e Êxtase: manifestações de resistência e visibilidade”, em cartaz de 03 de fevereiro a 1º de março de 2026. A visitação acontece de terça a domingo, das 9h às 18h, com horário estendido às quintas-feiras, até 20h. O MCI é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerida pela ACAM Portinari (Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari), em parceria com o Instituto Maracá e o Conselho Indígena Aty Mirim.

Construída a partir de fotografias, vídeos e depoimentos, a montagem reúne experiências de integrantes do Conselho Indígena Aty Mirim e da equipe do MCI que participaram do desfile do Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Unida da Mooca (MUM), realizado em 02 de março de 2025, no Sambódromo do Anhembi. A instalação também dialoga com o depoimento do escritor e líder indígena Ailton Krenak, concedido após o desfile, no qual ele define a vivência como um “estado de exaltação” e “êxtase” — sensações que dão título e norte conceitual ao trabalho.

A instalação propõe uma inversão do olhar do público ao trazer a festa popular para dentro do espaço museológico. “A ideia é provocar um choque de realidade contra a fetichização e a apropriação cultural, transformando o olhar do espectador de ‘consumidor de fantasia’ para ‘reconhecedor de cultura viva e resistência’”, afirma Mateus Marques Tozelli, assistente de programação e um dos idealizadores da instalação.

Equipe do MCI com estandartes no Carnaval de 2025. Foto: Giannelli Fotografia

A nova instalação dá continuidade à série de ações realizadas pelo MCI em anos anteriores — “Índio Indígena NÃO é Fantasia!” (2024) e “Representatividade x Representação: é só uma homenagem?” (2025) — aprofundando o debate sobre presença indígena, visibilidade pública e disputas simbólicas em espaços historicamente marcados pela folclorização e pelo apagamento.

Três eixos: protagonismo, ancestralidade e tensão institucional

Segundo Tozelli, a instalação se estrutura a partir de três eixos centrais. O primeiro é o da visibilidade e protagonismo, que busca retirar os povos indígenas da posição de objeto exótico e reafirmá-los como sujeitos ativos de suas próprias histórias e manifestações contemporâneas.

O segundo eixo é o da conexão com a resistência ancestral, evidencia que a presença indígena nos espaços urbanos e culturais é fruto de luta contínua e que as festas populares podem ser um território de afirmação identitária e valorização da diversidade dos povos originários.

O terceiro ponto é o tensionamento do próprio ambiente do museu. “Ao levar uma temática disruptiva como o Carnaval para dentro de uma instituição de preservação, buscamos mover o museu para um espaço de diálogo intercultural contemporâneo, em que os indígenas compartilham seus saberes e memórias”, explica Mateus.

“Brasil é Terra Indígena” é um dos estandartes do desfile de 2025. Foto: Giannelli Fotografia

Da avenida ao espaço expositivo

Durante o desfile da Escola de Samba Mocidade Unida da Mooca, ao lado de Ailton Krenak em um dos carros alegóricos, mestres dos saberes, conselheiros e colaboradores do museu empunharam estandartes carnavalescos que haviam integrado a instalação “Índio Indígena NÃO é Fantasia!”. As peças traziam frases como “Cocar é sagrado”, “Cada grafismo representa a espiritualidade de um povo” e “Demarcação já”, pautas centrais dos povos indígenas.
A instalação também resgata o contexto do Carnaval de 2025, quando a Mocidade Unida da Mooca levou à avenida o enredo “Krenak – O presente ancestral”, em homenagem a Ailton Krenak, primeiro indígena a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.

O desfile garantiu à escola o vice-campeonato do Grupo de Acesso I e a inédita ascensão ao Grupo Especial, ao propor uma leitura crítica da história do Brasil, da resistência dos povos originários e da permanência de suas vozes no presente.

Continuidade como estratégia de reexistência

Para o MCI, a retomada anual desse debate é fundamental. “O Carnaval é historicamente um espaço em que corpos indígenas são fetichizados. Dar continuidade a essas instalações permite que o debate seja permanente e atue como uma ferramenta de reexistência, atualizando a narrativa histórica de um Brasil que insiste em apagar a presença indígena contemporânea”, afirma Tozelli.

Conectadas, as três intervenções realizadas entre 2024 e 2026 buscam desconstruir estereótipos, denunciar o racismo presente na fantasia de ‘índio’, conscientizar sobre o uso indevido de indumentárias sagradas e funcionar como um arquivo vivo de memória, identidade e pertencimento.

Arte, Carnaval e reflexão crítica

Como festa cíclica e massiva, o Carnaval exige repetição e aprofundamento da mensagem. “A provocação é educacional e política: mover o público do entretenimento superficial para uma compreensão profunda da existência, da cultura e da luta dos povos originários no Brasil. A arte, nesse contexto, transforma a festa em um espaço de reflexão crítica e catalisa a resistência indígena”, conclui Mateus.

E MAIS!

As exposições em cartaz celebram as riquezas e a diversidade cultural dos povos originários:

  • Hendu Porã’rã – escutar com o corpo: uma imersão sensorial na cultura do povo Guarani a partir de linguagens ancestrais e contemporâneas.
  • Ygapó – Terra Firme: em um espaço imersivo somos convidados a tirar os sapatos para caminhar sobre as folhas da Mata Atlântica e entre o corpo de uma árvore partida ao meio.
  • Mymba’i, pedindo licença aos espíritos, dialogando com a Mata Atlântica: um chamado para a reflexão sobre os impactos das ações humanas e a urgência de cuidar da natureza.
  • Nhe’ẽ ry – onde os espíritos se banham: explora dimensões espirituais, territoriais e simbólicas da relação dos povos indígenas com a Mata Atlântica.
  • Ocupação Decoloniza – SP Terra Indígena: ocupa as áreas externas com grafismos Guarani e murais de onças, criados por artistas indígenas. As obras trazem olhares decoloniais sobre o espaço urbano e destacam a resistência, a luta por direitos e o papel feminino, como parte do movimento de retomada artística indígena contemporânea.

SERVIÇO

Instalação “Exaltação e Êxtase: manifestações de resistência e visibilidade”

Data e horário: 03/02 a 01/03, das 09h às 18h e às quintas até 20h

Exposições em cartaz

Data e horário: de terça a domingo, das 9h às 18h; às quintas até às 20h

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