
Entre os dias 18 e 24 de maio, os museus administrados pela ACAM Portinari participam da 24ª Semana Nacional de Museus, iniciativa que mobiliza instituições culturais de todo o país em torno do tema “Museus: unindo um mundo dividido”. A proposta desta edição coloca em pauta o papel dos museus na construção de espaços mais acessíveis, plurais e conectados com as diferentes realidades da sociedade.
A programação reúne experiências que atravessam arte, patrimônio, música, memória e culturas indígenas. Em Brodowski (SP), o Museu Casa de Portinari apresenta a mostra “Portinari: Paz em Diálogo”, dedicada ao painel “Paz”, de Candido Portinari. A atividade aproxima o público de documentos, peças de filatelia, vídeos e reflexões sobre paz e união entre os povos, em diálogo com a obra do artista.
No Museu Felícia Leirner e Auditório Claudio Santoro, em Campos do Jordão (SP), alguns dos destaques são as oficinas “A Arte de Girar”, que transforma o movimento em ponto de encontro entre corpo, criatividade e expressão, e “Criaturas e Caretices”, que propõe a criação como ponto de encontro entre diferentes experiências e modos de ver o mundo.
Em Tupã (SP), o Museu Índia Vanuíre destaca os saberes e os territórios indígenas do Centro-Oeste Paulista e promove visitas mediadas à exposição “Intervenção Tupã”, a partir do dia 23, com foco no protagonismo indígena e nas diferentes formas de narrar a história.
Já o Museu das Culturas Indígenas, na capital paulista, realiza o encontro “Memória em Retomada”, dedicado aos debates sobre memória, direitos e justiça de transição indígena. Confira a programação completa nas redes sociais e nos sites oficiais das instituições.

Os desenhos originais de Candido Portinari pertencentes ao acervo do Museu Casa de Portinari passaram recentemente por procedimentos especializados de conservação e restauro. Trabalhos como “Praça de Brodowski”, “A Banda”, “São Jorge e o Dragão” e “Músico Tocando Flauta” receberam intervenções conduzidas pelo Ateliê de Artes e Ofícios Daisy Estrá, em São Paulo, para correção de desgastes naturais provocados pela ação do tempo.
Produzidos em papel e concebidos como estudos para telas e murais, esses materiais exigem atenção constante. No cotidiano da instituição, o Núcleo de Acervo monitora fatores como temperatura, umidade e incidência de luz, além de realizar avaliações periódicas para acompanhar as condições de preservação.
O conjunto está exposto na Sala dos Desenhos, um dos espaços expositivos da casa onde o artista viveu em Brodowski. As obras revelam etapas importantes do processo criativo do artista, desde a construção das cenas até os traços que depois ganharam escala em telas e murais. Personagens, paisagens e composições ajudam o público a compreender diferentes momentos da trajetória de Portinari.

O Museu e Auditório apresentam a exposição virtual “Sonhos Concretos”, do fotógrafo Marcelo Vigneron. Com mais de 20 imagens, o projeto explora as relações entre arte, arquitetura e paisagem na Serra da Mantiqueira, a partir de registros realizados em diferentes áreas do complexo cultural.
Disponível no site das instituições, a mostra percorre ambientes internos e externos, aproximando as esculturas de Felícia Leirner, as linhas do Auditório e a vegetação que envolve o espaço. Contrastes de luz, textura e composição conduzem o olhar por perspectivas pouco percebidas durante a visita presencial.
A mostra democratiza o acesso ao conjunto e leva a experiência para o ambiente digital. Permite que o público explore, à distância, diferentes perspectivas sobre o encontro entre arte, arquitetura e paisagem. Concreto, natureza, sombra, escala e matéria compõem um percurso visual que revela detalhes, contrastes e conexões entre os elementos do conjunto artístico e arquitetônico em Campos do Jordão (SP).

O Museu Índia Vanuíre inaugura, no dia 23 de maio, a nova exposição de longa duração “Intervenção Tupã”, marcando a reabertura da visitação presencial e o início das comemorações pelos 60 anos da instituição, celebrados em 2026. Resultado de um trabalho realizado ao longo dos últimos anos junto a comunidades indígenas do Centro-Oeste Paulista, a mostra apresenta um novo percurso voltado à memória, ao território e à diversidade cultural.
A exposição reúne contribuições de representantes das Terras Indígenas Vanuíre, Icatu e Araribá, com participação das comunidades Kaingang, Krenak, Terena e Guarani Nhandewa. Narrativas, seleção de objetos e organização do espaço expositivo foram definidos em diálogo constante, em uma proposta orientada pela museologia colaborativa e pelo protagonismo indígena.
A nova organização do percurso destaca a presença histórica e contemporânea desses povos no território paulista e aborda disputas de memória, representatividade e diferentes formas de construção da história regional. A mostra também incorpora conteúdos relacionados à imigração e às contribuições da população negra na formação de Tupã (SP).

A campanha de assinaturas em apoio ao reconhecimento da língua Guarani como patrimônio imaterial do Museu das Culturas Indígenas mobilizou a sociedade para a importância da valorização das línguas originárias no fortalecimento da memória, da identidade e da diversidade cultural brasileira. Realizada ao longo dos últimos meses, a iniciativa reuniu visitantes, educadores, pesquisadores, lideranças indígenas e parceiros institucionais em torno de uma pauta fundamental para a preservação dos saberes ancestrais.
Como desdobramento desse processo, em 25 de abril de 2026, o Museu promoveu um encontro estratégico em formato híbrido, com atividades presenciais e transmissão ao vivo pelo YouTube da instituição. O evento reuniu detentores do saber, lideranças indígenas, pesquisadores do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas, coordenado pelo Museu da Língua Portuguesa, representantes do MAE-USP, além de integrantes do IPHAN e do Conselho de Defesa do CONDEPHAAT.
O encontro marcou um importante avanço no amadurecimento de um plano de preservação voltado à garantia dos direitos linguísticos e da diversidade cultural nos territórios paulistas, além de fortalecer a articulação para o protocolo formal do pedido de reconhecimento da Língua Guarani como patrimônio imaterial do estado.